Pegou-se em meio a uma loucura em si própria. Pouco a pouco a lucidez se fazia presente em sua mente tão perdida. Caída em meio a tanto fogo é de admirar que estivesse viva, sem nem um arranhão. Levantou-se rapidamente e então viu que sua brincadeira tinha tido um consequência forte demais. Agora que nada podia fazer, deixou-se queimar no fogo quem um dia admirou tanto. Era um tormento pensar na dor, mas não sentia nada, o puro prazer de morrer em meio a coisa mais incrível que conhecera foi á sensação mais satisfatória de sua vida.
Já era tarde, mas como de costume o sono tivera passado como um avião a jato que passa em segundos fazendo barulhos ensurdecedores. Saiu para o fundo do seu quintal, acendeu a fogueira que fez com galhos secos que caíram da árvore quase morta de laranjeira. Ali, sozinha, pensava na vida que nunca teve, nos amores que nunca conheceu, só por medo de deixar-se levar pela emoção do momento. Entre um e outro pensamento que lhe trazia fortes sensações percebeu que nada podia ser mudado, como aquele fogo que ali estava, firme, forte, intenso, e que em um segundo se apagará deixando de esquentar seus pensamentos. De certo modo, se sentia assim, intensa como se ela fosse várias chamas liberando o calor de vidas, mas em um segundo estava apagada, fria e novamente sozinha em um vazio. As pessoas não precisariam dela, não iam saber suas opiniões ou seus pensamentos incríveis, as pessoas queriam o que todo mundo quer: mentiras. Não aceitava tanta loucura errada, a dela era melhor, via dragões, bruxas, e monstros, mas neles via a beleza e delicadeza que ninguém que ela conhecia conseguia ver.
Admirando o fogo que ali estava se cessando fez-lhe um pedido - Quero que tudo sejas como tua vida. Quero que meu fim seja o teu em um dia qualquer, se não for necessária minha presença nesse mundo que então tu me leves contigo até aonde podermos ser um só. - Então o fogo se apagau, e ela sentiu como se ele a tivesse entendido.
Seus pais não achavam solução para o problema. Não queria comer, sair, olhar, viver, só queria pensar. Então, levaram-na a um psiquiatra que lhes disse que o caso era sério, tinha urgência em uma internação para melhor conhecimento da loucura. Nunca ele tivera visto algo tão desconhecido nesses anos de experiência, longos anos de psiquiatria, 40 para ser exato. A menina lhe trouxe duvidas.
Ela em um nível de alucinação profundo só queria o fogo, ele poderia tranquilizá-la, era isso que ela pedia.
Seus pais sem mais esperanças, deixaram-na internada por mais de 3 anos, nem uma especificação foi diagnosticada, a loucura era única, a loucura do fogo.
Foi ai que fugiu de seu quarto. Nem ela sabe como, escondendo-se na cozinha, pegou uma garrafa de álcool e um fósforo para ver então seu belo amado. Sentir o calor de algo tão grandioso lhe trazia paz, era isso, a cura de sua doença que não existia. Foi então que no alto da noite quando retornou ao seu quarto para fazer o ritual de vida, deixou o fogo lhe guiar. Entrou em transe e só acordou quando estava em chamas, feliz, porém, morta. Não era isso que sentia. Morte. a vida que entrava e queimava seu corpo lhe trazia então a realização de uma vida que não precisava existir, uma vida que nunca viveu, porque se perdeu em um pedaço de sua mente já queimado pelo amor.
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